segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

linha de sombra

"Só os jovens passam por momentos assim. Não quero dizer os novos demais; esses não conhecem, para falar verdade, momentos propriamente difíceis. É dado à adolescência o privilégio de viver antecipadamente os dias da sua vida na plena continuidade admirável de uma esperança ininterrupta e sem introspecções.
Deixamos fechado para trás das costas o portãozinho da infância... - e entramos num jardim encantado. As próprias sombras do jardim esplendem de promessa. A cada curva da vereda está uma nova sedução. E não é por se tratar de um país ainda por descobrir. Sabemos perfeitamente que toda a espécie humana tem corrido no leito desse caminho. Trata-se do encontro próprio de uma experiência universal, de que esperamos uma impressão rara ou íntima... - um pouco de nós mesmos.
Avança-se então, reconhecendo os marcos erguidos pelos que antes passaram por ali, avança-se excitado, divertido, acolhendo igualmente a boa sorte e a má - as pancadas e as carícias, como se costuma escrever -, o variegado destino comum que tantas possibilidades traz dentro de si para os que as saibam merecer ou, talvez, para aqueles a quem a fortuna sorri. E continua-se para diante. O tempo também continua para diante - até que avistamos, mergulhando mais fundo, uma linha de sombra que nos previne de que o país da adolescência terá igualmente que ser deixado para trás.
É neste período da vida que os momentos de que tenho estado a falar têm probabilidades maiores de acontecerem. Mas que momentos? Bem, momentos de tédio, de cansaço, de descontentamento. Momentos de precipitação. Quer dizer momentos em que o jovem tende ainda, por força da natureza, a praticar actos irreflectidos, como casar de um instante para o outro ou abandonar descuidadamente um lugar que ocupava sem ter motivo algum para o fazer."

sábado, 17 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

natureza-morta com limões

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"the destroyed room"

sábado, 9 de julho de 2011

“Quem se habituou a copiar palavras alheias não ignora que a escolha nasce de uma decisão súbita, de imediato – e tantas vezes durante quanto tempo? injustificável. É como uma chave que um dia há-de abrir alguma porta.”

quinta-feira, 23 de junho de 2011

4ª lição


«Nem tudo o que é conhecível pode ser articulado de forma proporcional. Os limites do nosso conhecimento não são definidos pelos limites da nossa linguagem. No ocidente temos uma longa tradição filosófica que promove a visão de que saber algo requer uma formulação daquilo que sabemos em palavras; precisamos de ter garantias para as nossas afirmações. Mas será mesmo verdade que o que o que não podemos afirmar, não podemos conhecer? De acordo com Michel Polanyi não. Ele fala de conhecimento tácito e diz que “nós sabemos mais do que podemos dizer”. E Dewey diz-nos que enquanto a ciência declara significado, as artes expressam significado. O significado não está limitado àquilo que pode ser afirmado. Dewey continua e diz que o estético não pode ser separado do intelectual. Para que o intelectual seja completo, ele tem que carregar o selo do estético. Ter um nariz para fazer questões e um sentimento para respostas incisivas não são metáforas sem nexo. Estas ideias não expandem apenas a nossa concepção dos modos sobre os quais nós conhecemos, mas também expandem a nossa concepção de mente. Elas apontam para fronteiras cognitivas que o nosso ensino pode explorar. Como podemos ajudar os estudantes a reconhecer os modos sobre os quais nós exprimimos e recuperamos o significado, não só nas artes mas também nas ciências? Como podemos iniciá-los na arte de fazer ciência? Apesar de tudo, a prática de alguma prática, incluindo a ciência, pode ser uma arte. Na prática, é óbvio para toda a gente que nós recorremos a uma forma expressiva de dizer aquilo que a linguagem literal nunca poderia dizer. Nós construímos santuários para exprimir a nossa gratidão para com os heróis do 11 de Setembro porque, de alguma forma, achamos as nossas palavras inadequadas. Nós recorremos à poesia quando enterramos e quando casamos. Nós estabelecemos as nossas práticas religiosas mais profundas dentro de composições que nós coreografamos. O que é que a nossa necessidade de tais práticas nos diz sobre as origens do nosso conhecimento e o que significam para a forma como educamos? Num tempo em que parecemos querer empacotar a performance em grupos padronizados limitados de capacidades, questões como estas parecem-me ser especialmente importantes. Quanto mais sentirmos a pressão para padronizar, mais necessidade temos de nos lembrar daquilo que não devemos padronizar.»


terça-feira, 21 de junho de 2011

"invisible man"